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sábado, 24 de janeiro de 2015

17 prêmios Nobel adiantam o Relógio do Apocalipse em dois minutos

17 prêmios Nobel adiantam o Relógio do Apocalipse em dois minutos

Símbolo da vulnerabilidade do planeta fica a três minutos da “catástrofe global”

Desfile de armamento em Pyongyang (Coreia do Norte) em 2012. / KCNA
Um grupo de 17 cientistas premiados com o Nobel decidiu adiantar em dois minutos o Relógio do Apocalipse, uma figura simbólica que desde 1947 alerta sobre a vulnerabilidade do mundo diante de um desastre em escala planetária. O relógio está agora a três minutos da “meia-noite”: uma catástrofe global.
O relógio, criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago (EUA), só se moveu 18 vezes em toda sua história. A última vez que esteve tão próximo do fim do mundo foi em 1984, com os EUA e a URSS em plena Guerra Fria. Em 1991, estava a 17 minutos.
“Em 2015, a mudança climática sem controle, a modernização global das armas nucleares e os descomunais arsenais atômicos representam extraordinárias e inegáveis ameaças à existência da humanidade”, explica o conselho científico do Boletim em sua página na Internet. Esse órgão tomou a decisão, junto com um grupo de assessores que inclui 17 nobéis e outros prestigiosos pesquisadores, como o físico britânico Stephen Hawking.
A mudança climática e os arsenais nucleares são uma ameaça para a humanidade, segundo os especialistas
“Os líderes mundiais não agiram com a velocidade e a escala necessárias para proteger a população de uma potencial catástrofe”, critica a nota. Os pesquisadores lembram que 2014 foio ano mais quente desde o início dos registros em 1880 e que 9 dos 10 anos mais quentes ocorreram desde 2000.
“Sem uma drástica mudança de rumo, os países do mundo terão emitido, no final deste século, CO2 e outros gases do efeito estufa em quantidade suficiente para transformar profundamente o clima da Terra, prejudicando milhões e milhões de pessoas e ameaçando muitos sistemas ecológicos dos quais a civilização depende”, alertam.
Os especialistas denunciam também que “os esforços para reduzir os arsenais nucleares do planeta pararam”. Enquanto os EUA e a Rússia melhoram seus depósitos atômicos, outros países com armas nucleares – como o Reino Unido, França, China, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte – unem-se “nessa modernização louca, cara e extremamente perigosa”. Os EUA gastarão 355 bilhões de dólares (917 bilhões de reais) na próxima década para realizar essa modernização, de acordo com o Boletim.
“A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta e as ações necessárias para reduzir o risco de desastre devem ser tomadas o quanto antes”, concluem os cientistas. Entre os prêmios Nobel, encontram-se Masatoshi Koshiba, pioneiro no estudo dos neutrinos, e Leon Lederman, o físico que batizou o bóson de Higgs de “a partícula divina”.
‘Relógio do Apocalipse’ é adiantado para 23h57m e humanidade fica mais perto da extinção
É o mais perto da meia-noite que o mundo esteve desde Guerra Fria, mas perigo agora são as mudanças climáticas
POR SÉRGIO MATSUURA
22/01/2015 16:59 / ATUALIZADO 22/01/2015 20:56

Descrição: Integrantes do Boletim dos Cientistas Atômicos durante coletiva de imprensa sobre ajuste do relógio do fim do mundo Foto: WIN MCNAMEE / AFPIntegrantes do Boletim dos Cientistas Atômicos durante coletiva de imprensa sobre ajuste do relógio do fim do mundo - WIN MCNAMEE / AFP


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O fim do mundo está próximo! A depender do alerta emitido nesta quinta-feira pelo Boletim de Cientistas Atômicos (BAS, na sigla em inglês) ao adiantar em dois minutos o “Relógio do Apocalipse”, que agora marca três para meia-noite, vivemos uma situação tão perigosa quanto a da Guerra Fria. A última vez em que a situação esteve tão crítica foi em 1984, num momento em que o recrudescimento das hostilidades entre os EUA e a então União Soviética ameaçavam a humanidade com uma guerra nuclear. Desta vez, a principal ameaça vem do clima.
— Isto é sobre o fim da civilização como nós a conhecemos — disse Kennette Benedict, diretora-executiva do BAS. — A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta, e as ações necessárias para reduzir os riscos são urgentes. As condições são tão ameaçadoras que estamos adiantando o relógio em dois minutos. Agora faltam três para a meia-noite.
A emissão de dióxido de carbono e outros gases está transformando o clima do planeta de forma perigosa, alertou Kennette, o que deixa milhões de pessoas vulneráveis ao aumento do nível do mar e a tragédias climáticas. Em comunicado, o BAS faz duras críticas aos líderes globais, que “falharam em agir na velocidade ou escala requerida para proteger os cidadãos de uma potencial catástrofe”.
O consultor e ambientalista Fabio Feldmann considera o alerta “bastante razoável” e destaca a falta de mobilização de governos e sociedades como o principal entrave.
— Se há um ano eu falasse sobre os riscos da crise hídrica em São Paulo, seria tachado de apocalíptico, mas veja a situação agora — disse Feldmann. — A realidade está superando as previsões científicas, mas não está colocando o tema na agenda. Esse é o drama.
ARMAS NUCLEARES AINDA ASSUSTAM
Além da questão climática, o BAS alerta sobre a modernização dos arsenais nucleares, principalmente nos EUA e na Rússia, quando o movimento ideal seria o de redução no número de ogivas. Estimativas mostram a existência de 16.300 armas atômicas no mundo, sendo que apenas cem seriam suficientes para causar danos de longo prazo na atmosfera do planeta.
“O processo de desarmamento chegou a um impasse, com os EUA e a Rússia aplicando programas de modernização das ogivas — minando os tratados de armas nucleares — e outros detentores se unindo nesta loucura cara e perigosa”, informou o BAS.
A organização pede que lideranças globais assumam o compromisso de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e de reduzir os gastos com armamentos nucleares.
— Não estamos dizendo que é muito tarde, mas a janela para ações está se fechando rapidamente — alertou Kennette. — O mundo precisa acordar da atual letargia. acreditamos que adiantar o relógio pode inspirar mudanças que ajudem nesse processo.
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O BAS foi fundado em 1945 por cientistas da Universidade de Chicago (EUA) que participaram no desenvolvimento da primeira arma atômica, dentro do Projeto Manhattan. Dois anos depois, eles decidiram criar a iniciativa do relógio, para “prever” quão perto a humanidade estaria da aniquilação. Na época, a principal preocupação era com o holocausto nuclear, mas, a partir de 2007, a questão climática passou a ser considerada pelo grupo. As decisões de ajustar ou não o relógio são tomadas com base em consultas a especialistas, incluindo 18 vencedores do Prêmio Nobel.
Desde a criação, o “Relógio do Apocalipse” foi ajustado apenas 22 vezes. O momento mais crítico aconteceu em 1953, com o horário marcando 23h58m, por causa dos testes soviéticos e americanos com a bomba de hidrogênio. A assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, em 1991, fez o relógio marcar 17 minutos para a meia-noite, a situação mais confortável até hoje.
O último ajuste do relógio aconteceu em 2012, para 23h55m, com o BAS alertando sobre os riscos do uso de armas nucleares nos conflitos do Oriente Médio e o aumento na incidência de tragédias naturais.



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