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Biblia

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Templo evangélico na 212 Sul tem o primeiro drive-thru religioso do DF

A disputa por fiéis travada com a Igreja Católica levou uma das maiores instituições evangélicas a lançar mão de um serviço antes restrito a redes de lanchonetes ou agências bancárias: a partir de agora, motoristas podem receber a palavra do Senhor no conforto do próprio carro. A nova modalidade, batizada de “drive-thru de oração”, chegou ao Distrito Federal. Por enquanto, só existe um, instalado no maior templo da igreja Universal em Brasília, na 212/213 Sul. O objetivo dos criadores do serviço, entretanto, é estender a modalidade para as demais unidades da entidade religiosa. São mais de 200 espalhadas em todo o DF. Na próxima semana, templos em Taguatinga têm previsão de receber a iniciativa.

Um carta fixado na parada de ônibus no Eixinho, em frente ao templo, informa aos motoristas sobre o serviço e indica o caminho até as portas da igreja. Ao seguir as setas, ele é direcionado a uma tenda, onde encontra um pastor. O atendimento pode ocorrer tanto dentro como fora do carro, dependendo da preferência do interessado, como explica o pastor responsável pela iniciativa, Edgar Lopes. Segundo ele, o objetivo é alcançar os fiéis, independentemente de onde eles estejam.

“Ultimamente, as pessoas têm pouco tempo. Estão sempre na correria. Muitas vezes, estão precisando de uma oração, um aconselhamento, uma orientação, mas não podem ir ao templo. Então, a nossa ideia foi deixar isso mais acessível”, justifica o pastor. “Motos, carros, caminhões. Atendemos quem precisar, seja qual for o veículo. Até mesmo pessoas a pé nos procuram”, diz. Edgar estima que, desde a inauguração do serviço, 100 carros tenham passado pelo local. O atendimento acontece todos os dias da semana, das 8h às 19h30. Segundo o pastor, o serviço é gratuito.

O drive-thru de orações já havia sido adotado em São Paulo. De acordo com o pastor, a ideia surgiu na cidade de Houston, no estado do Texas (Estados Unidos), e foi importada com sucesso. Qualquer pessoa, independentemente do credo religioso, pode ser atendida pelos cinco pastores que se revezam ao longo do dia. De acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), 27% da população do Distrito Federal são formados por evangélicos.

Polêmica

A reportagem do Correio esteve ontem à tarde na porta igreja conversando com pessoas que eram atendidas no drive-thru. A corretora Kátia Damasceno, 39 anos, foi uma das que recorreu à oração rápida por conta de um problema de saúde. Ela nem precisou sair do carro para ouvir as palavras do pastor, que repousou a mão sobre a cabeça de Kátia. Em pouco mais de cinco minutos, a oração foi feita e ela estava livre para seguir. “Acho muito interessante essa ideia. Às vezes você está com pressa ou mesmo com vergonha de pedir ajuda. Eu sou frequentadora do templo, mas muitas vezes fico receosa em contar o meu problema. Dessa forma fica mais fácil”, acredita. “Espero, daqui a sete dias, voltar à igreja para dar meu testemunho.”

Os pastores também distribuem materiais informativos às pessoas que passam pelo drive-thru. Geralmente, folhetos com dias e horários dos cultos no templo religioso. A tenda por onde os carros passam foi personalizada pelos pastores. Nela está contida a mensagem: “pare, ore, siga”, ao lado de pequenas circunferências nas cores vermelha, amarela e verde, assim como nos semáforos.

A auxiliar administrativa Tatiane Kelly Souza, 25 anos, não conhecia o serviço, mas disse que recorreria caso precisasse. “Achei muito bacana. Hoje, as pessoas não têm tempo para nada, então essa é uma maneira de colocar Deus mais próximo delas”, afirma. O contador Diógenes Aaker, 26 anos, por sua vez, afirma respeitar a ideia, mas salienta ter uma crença religiosa diferente. “Cada um tem uma forma de pensar, de procurar Deus. Eu não tenho críticas a fazer.”

Diferentemente de Tatiane e de Diógenes, a doméstica Coraci de Souza, 54 anos, é contrária ao drive-thru. Ela acredita que as pessoas que procuram Deus verdadeiramente devem dispor de tempo para ele. “Não concordo com isso. É coisa de gente preguiçosa. Jamais usaria um ‘negócio’ desses”, afirma.